24 de dezembro de 2010

"Tudo de bom" neste Natal, nesta data especial!


Compartilho a mensagem de Natal que enviei para alguns amigos. Lembro, porém, que haveria muito mais o que levantar, principalmente a respeito do verdadeiro sentido do Natal, mas, sem tempo, no momento, deixo (ao final desta mensagem) o link de um vídeo que, apesar de breve, na minha opinião, trata disso com bem mais propriedade do que quaisquer palavras poderiam fazê-lo.


"Nas datas especiais costumamos espalhar muitos votos de coisas boas: amor, felicidade, saúde, paz, sucesso, dinheiro, dentre outros. Mas, cá entre nós: se você fosse questionado, diria que acredita que a maioria dessas coisas se concretizam na sua vida? Você se sente feliz, em paz, realizado, sente que ama e é amado sinceramente, se sente saudável e com vitalidade? Geralmente desejamos e fazemos para os outros aquilo que gostaríamos de receber.

Infelizmente, muitos (a maioria?) fazem votos de felicidade, e nem sempre a sentem em suas próprias vidas, nem sabem exatamente como contribuir para que os outros a sintam. Muitos desejam sucesso, mas existe uma grande parcela que, apesar de muitas conquistas ou aquisições que deveriam fazer-lhes se sentirem realizados, permanecem com uma certa sensação de fracasso. Tantos são os votos de riqueza, mas embora alguns durmam em "berço de ouro", continuam sentindo-se insatisfeitos como miseráveis. Muitos desejam paz e amor, mas não lembram que, na prática, existe um considerável grau de dificuldade em cultivá-los e transmití-los no nosso dia-a-dia (então, de onde virão?).

Afinal, por que é assim?

Porque muitos de nós desejamos coisas maravilhosas sem, no entanto, considerarmos e lembrarmos da fonte da qual todas as coisas essencialmente boas provém: de DEUS! Pois as coisas boas provém dEle...enquanto, as ruins, de nós mesmos: da nossa incapacidade natural de cultivá-las. "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço." (Romanos 7:19)

Mas, mais do que isso: desejar as bênçãos de Deus, só, não basta! Para se conquistar verdadeiramente tudo isso, é preciso ir além: é preciso conhecer verdadeiramente e seguir o Deus das bênçãos! Então, o desejo sincero e a ação para contribuir com os outros para que aqueles votos se concretizem em suas vidas será mera e espontânea consequência do que já vem acontecendo na sua própria.

Por isso, não só nas datas especiais, neste Natal, neste novo ano, mas em todos os teus dias, é o que venho desejar pra tua vida: que esse Deus, o real sentido do Natal e da própria vida, preencha de real sentido o teu viver! Só Ele conhece perfeitamente e pode preencher as lacunas da necessidades de qualquer âmbito do ser humano! Que você permita que Ele entre na sua vida e possa transformá-la segundo a Sua vontade, moldando seu caráter, para que semeies atitudes que, por sua vez, gerem os frutos (os votos) tão desejados nas datas especiais, como a de hoje. E então, "todas as demais coisas lhe serão acrescentadas" (Mateus 6:33).

Para finalizar, deixo o link deste breve vídeo, que nos faz refletir a respeito deste assunto: http://www.youtube.com/watch?v=mjFAcXtmViM&feature=related

Feliz Natal e Ano Novo todos os dias de sua vida!


8 de outubro de 2010

Meu Flickr (fotografia)




Pra quem gosta de natureza e fotografia, estou divulgando meu Flickr, que fiz no mês passado: http://www.flickr.com/photos/wonderfulcreation_bynaty/
Caso alguém não conheça, trata-se de um site onde pode-se postar fotos com os direitos autorais reservados.
Sou apaixonada pela criação de Deus, principalmente pela natureza - tema principal das minhas fotos.
Como diz o Salmo 19.1, "os céus proclamam a Sua glória e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos."

Ah, nada profissional, só lazer... ;)

Quem visitar, se possível, deixe seu(s) comentário(s) abaixo das imagens! ;)
* Uma dica: ao abrir a página, aparecem as miniaturas; para visualizar melhor as fotos, clique nelas individualmente, e serão ampliadas.


Obrigada pela atenção! Abraços!!!

12 de maio de 2010

QUATRO ESTAÇÕES


A "primeira impressão que fica" é algo complicado. Digo, inclusive, que algo perigoso e, certas vezes, prejudicial, se não considerada com flexibilidade. Muitas vezes, se eu não tivesse dado o direito da dúvida, teria deixado de descobrir verdadeiros tesouros escondidos por detrás de um rosto, num primeiro momento, rígido, frio, ou, mesmo, para mim, "antipático". Se eu não tivesse esperado, julgaria muitas pessoas por apenas um momento de sua vida - e, além de ser injusta, perderia de aprender muitas coisas que, hoje, me ajudam a viver.
A nossa tendência é essa. Mas a verdade, é que nenhum de nós sorri o tempo todo e nenhum de nós gosta de ser julgado por apenas uma estação da nossa vida. Penso em quantas pessoas que frequentemente sorriem, temem deixar de ser amadas - porque, provavelmente, deixariam de sê-lo - se expressarem que estão, na verdade, em uma fase de fraqueza, ou de tristeza, de revolta, ou mesmo de transição, de revisão de conceitos que antes as mantinham em concordância com um grupo ou uma maioria. E penso, também, o quanto muitas outras aprenderiam a sorrir se fossem amadas e respeitadas, primeiramente, na sua fragilidade.

Será que não percebemos que, se rejeitamos a face HUMANA do outro é porque não somos capazs de aceitar, primeiramente, a nós mesmos? Na humanidade, e perante a dor e a morte, nós somos todos iguais! E, se o orgulho ameaçar tomar conta, lembremos que todos "do pó viemos, e a ele retornaremos" - conforme está escrito em Eclesiastes 3.20.
Portanto, nosso papel de pessoas igualmente imperfeitas e suscetíveis às diferentes estações da vida, certamente, não é o de julgar ou se afastar; mas, a coisa mais sensata a fazer é acolher, dar suporte e amar, independente de "a árvore" estar florida, seca, cheia de frutos, ou coberta de espinhos.
A mensagem abaixo é linda e tem muito a nos ensinar a respeito disso e de paciência.
Abaixo dela, as sábias palavras de Eclesiastes 3.

________________________________________

QUATRO FILHOS E QUATRO ESTAÇÕES

Um homem morava no deserto e tinha quatro filhos ainda adolescentes. Querendo que seus filhos aprendessem a valiosa lição da não precipitação nos julgamentos, os enviou para uma terra um onde tinha muitas árvores. Mas ele os enviou em diferentes épocas do ano.

O primeiro filho foi no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verão e o mais novo foi no outono.
Quando o último deles voltou, o pai os reuniu e pediu que relatassem o que tinham visto.

O primeiro filho disse que as árvores eram feias, meio curvadas, sem nenhum atrativo. O segundo filho discordou e disse que na verdade as árvores eram muito verde e cheias de brotinhos, parecendo ter um bom futuro.

O terceiro filho disse que eles estavam errados, porque elas estavam repletas de flores, com um aroma incrível e uma aparência maravilhosa!

Já o mais novo discordou de todos e disse que as árvores estavam tão cheias de frutos que até se curvava com o peso, passando a imagem de algo cheio de vida e substância.

Aquele pai então explicou aos seus filhos adolescentes que todos eles estavam certos! Na verdade eles viram as mesmas árvores em diferentes estações daquele mesmo ano.
Ele disse que não se pode julgar uma árvore ou pessoas por apenas uma estação ou uma fase de sua vida.

Ele explicou que a essência do que elas são, a alegria, o prazer, o amor, mas também as fases aparentemente ruins que vem daquela vida só podem ser medidas no final da jornada quando todas as estações forem concluídas!

Se você desistir quando chegar o “inverno”, você vai perder as promessas da primavera, a beleza do verão e a plenitude do outono.

Não permita que dor de apenas uma “estação” destrua a alegria de todas as outras. Não julgue a vida por apenas uma fase!

Persevere através dos caminhos dificultosos, e épocas melhores virão com certeza!
Viva de forma simples, ame generosamente, se importe profundamente,fale educadamente...e deixe o restante com Deus!

A felicidade mantém você doce. Dores mantém você humano. Quedas te mantém humilde.
Sucesso te mantém brilhando. Provações te mantém forte. Mas somente DEUS...te mantém prosseguindo!

(Autor desconhecido)

_________________________________

Eclesiastes 3. 1-8 (NTLH)

Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião.
Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir.
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar.
Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

O DESPERTAR!


Existe - ou seria ideal que sempre existisse - aquele tempo em que o efeito "anestésico" que nos deixou adormecidos para algumas coisas que nos prejudicam e que, por hábito, mantemos, parece que passa. Então, de repente, você parece acordar e decide fazer uma FAXINA em tudo o que não presta! Este texto quebra alguns paradigmas, e muitas coisas rígidas que construímos em cima de "castelos de areia". Sábias e sensatas palavras! Compartilho! ;)


O DESPERTAR

Chega um tempo em tua vida quando você finalmente se dá conta - em meio de todos seus medos e insanidade – de que você está andando em círculos ou até no ponto morto. Em algum lugar dentro de você há uma voz que grita - CHEGA!

Chega de lutar e debater-se tentando agüentar firme. E, como uma criança que se aquieta após a tempestade, seus soluços começam a abrandar-se, seu desespero a acalmar-se – e devagarinho você começa a ver o mundo com novos olhos.

Este é seu DESPERTAR.

Você percebe que é tempo de parar de esperar que tudo mude ou até que você possa transformar o mundo, por mais que se envergonhe deste seu orgulho que foi a mola propulsora da sua luta – (e ela foi boa!), de esperar por felicidade, segurança ou plenitude além do próximo horizonte.

Você faz as pazes com o fato de não haver um final feliz para todos seus contos de fadas e que o “...e viveram felizes para sempre“ deve começar dentro de você. Neste processo nasce um sentimento de serenidade e aceitação.

Você aceita o fato de que não é perfeito(a) e que nem todos podem amar ou aceitar quem e o que você é – e é bom que assim seja. Cada qual é prisioneiro(a) de sua própria visão limitada. E você aprende a amar a si mesmo(a) e a dar-se tapinhas de estímulo nas costas, num estágio de nova aceitação de si mesmo(a).

Você pára de queixar-se ou de acusar outras pessoas pelo que fizeram ou não fizeram a você e aprende a contar com o inesperado.

Você aprende que as pessoas nem sempre dizem o que pensam ou pensam o que dizem e que nem todos estão aí para você e que nem tudo gira ao seu próprio redor.

Assim você aprende a assumir responsabilidade por você e de cuidar de si mesmo(a)...e neste processo nasce um sentimento de segurança e auto-confiança.

Você pára de julgar e apontar dedos e começa a aceitar as pessoas como são e de passar por cima de seus erros e fragilidades humanas... e neste processo um sentimento de paz e contentamento nasce do perdão que você dá.

Você percebe que o jeito que você percebe a si mesmo e o mundo ao seu redor, é resultado de todas as mensagens e opiniões que lhe foram passadas ao longo da vida. E você começa a revisar todo lixo com que o(a) alimentaram sobre como deveria comportar-se, mostrar-se em público, o quanto deveria pesar, o que usar, como e quanto ganhar na sua vida, como dirigir, como e onde viver, com quem casar, a importância de ter e criar filhos e o que você deve à sua família e amigos.

Você aprende a deixar outros mundos e diferentes pontos de vista entrarem dentro de você. E você inicia a redefinir e reassegurar-se de quem você realmente é e pelo que vale a pena viver.

Você aprende a diferença entre DESEJAR e PRECISAR e descarta doutrinas e valores agora obsoletos ou que você nunca deveria ter adquirido...e neste processo você aprende a acreditar na sua intuição e no seu instinto.

Você aprende que é dando que se recebe.

E que há poder e glória em criar e contribuir para a transformação deste mundo, com aquilo que você é. E você pára de navegar pela vida como um mero consumidor, ávido pelo próximo artigo de consumo que preencha seu vazio.

Você aprende que princípios como honestidade e integridade não são ideais retrógrados de eras passados, mas que são o cimento que firma a base na qual você necessita construir sua vida.

Você aprende que não sabe tudo, mas que não é possível salvar o mundo e que você não consegue ensinar um porco a cantar...

Você aprende a distinguir entre culpa e responsabilidade e a importância de colocar limites e dizer "não"!

Você aprende que a única cruz que precisa ser carregada é aquela que você opta em carregar com coragem – e que mártires são queimados na fogueira.

E então você aprende sobre o amor. Como amar, quanto entregar-se no amor, quando recolher-se e quando ir embora.

Você aprende olhar os relacionamentos como eles realmente são e não como os desejaria. E você não enfeita, mas também não denigre a própria imagem, tampouco a de outros.

Você pára de tentar controlar as pessoas, situações e resultados.

Você fala menos e fica mais tempo calado.
Quando você diz algo os outros ouvem porque você terá MAIS a dizer do que antes...quando então havia tanta conversa fiada...e você percebe que aqueles que você ama têm coisas importantes a dizer e que você precisa ouvi-los mais.

Você aprende que sozinho não é sinônimo de solitário.

Você pára de trabalhar em excesso e de rejeitar e colocar seus sentimentos de lado ou de ignorar suas reais necessidades.

Você aprende que seus sentimentos devem ser levados a sério – todos eles e que você não manda neles...e que é seu direito querer e expressar o que quer...e que pedir é necessário.

Você aprende que você merece ser tratado(a) com amor, bondade, sensibilidade e respeito – que você não vai deixar por menos...e também não fazer menos.

E você aprende que seu corpo é um templo. E você começa a cuidar dele e tratá-lo com respeito – especialmente seus órgãos mais fracos e susceptíveis. Você começa a fazer questão de uma dieta balanceada, toma mais água e faz mais exercícios.

Você aprende que o stress e o cansaço enfraquecem seus mecanismos de defesa, aumentam o medo e a dúvida e detonam os pontos fracos de sua personalidade. Por isso, descanse mais, para seu bem e o daqueles que você ama.

E, como o alimento enche o corpo, o riso enche a alma. Assim, tome mais tempo para rir e brincar. Trate bem sua criança interna, tanto mais se ela for uma criança ferida.

Você aprende que, na maioria das vezes, você ganha na vida aquilo que acredita merecer...e que muito na vida é uma profecia que se auto-realiza.
Você aprende que para obter algo valioso é preciso investir e que desejar que algo aconteça é diferente de fazê-lo acontecer. Lembra da canção da nossa época: "Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer!"

Você aprende que o preço do êxito é direção, disciplina e perseverança.

Você igualmente aprende que ninguém pode fazer tudo sozinho... e que
está certo pedir ajuda.

Você aprende que a única coisa a temer, realmente, é o medo que paralisa.
Você aprende a pisar firme no meio de seus medos e transpô-los, pois você sabe que é capaz de enfrentar qualquer situação e que entregar-se ao medo é abrir mão do direito de viver sua vida.
E você aprende a batalhar por sua vida e não ficar sufocado debaixo da nuvem da fatalidade.

Você aprende que a vida nem sempre é justa, você nem sempre ganha o que acha merecer e que coisas ruins acontecem até para pessoas boas. Nestas ocasiões não leve as coisas tão pessoalmente.

Você aprende que Deus não está castigando você ou esquecendo de responder à suas orações. Mas acontece que a vida é assim mesmo.

E você aprende a lidar com o mal em seu estado mais primário – seu ego!

Você aprende que deve entender e re-direcionar seus sentimentos negativos como raiva, inveja e ressentimento. Caso contrário, eles sufocarão sua vida e envenenarão também o universo ao seu redor.

Você aprende a admitir quando está errado e a construir pontes, em vez de muros.
Você aprende a ser grato e a apreciar as pequenas coisas que tomamos como naturais e garantidas, mas que milhares de pessoas jamais podem sonhar em ter algum dia: uma geladeira cheia, água encanada, uma cama quentinha ou um chuveiro refrescante.

Passo a passo você se responsabiliza por si mesmo(a), prometendo a si mesmo(a) não trair-se e de ouvir a voz de seu coração quando Deus fala através dele!
E você coloca um cata-vento do lado de fora da janela para observar o efeito de vento. Algo que não se vê, mas que é!

E você resolve continuar confiando e permanecendo aberto para todas as possibilidades maravilhosas da vida.

Finalmente, com a coragem no coração e Deus ao seu lado, você toma o seu lugar, respira profundamente e começa a delinear a vida para ser vivida da melhor maneira que puder.

Felicidade é um estado de espírito, não um desígnio.


(Autor desconhecido – tradução do Inglês por Dorothea Wulfhorst)

1 de abril de 2010

A criança que eu não fui!




"Não temo a velhice...o que temo é, um dia, deixar morrer a criança que há em mim!" (Natalie Laux)

"Estranho, para mim, é alguém esperar ser verdadeiramente amado, sem passar para os outros a imagem daquilo que verdadeiramente é". (Natalie Laux)

* Frases publicadas na postagem "Frases de minha autoria", do mês de janeiro, aqui do blog.

---------------------------------------------

"A criança que eu não fui aflora agora, após quase meio século de vida.
Eu acreditei que pudesse abafá-la para todo o sempre e nunca levei a sério todos os seus veementes apelos para ressurgir e manifestar-se.Ocorre que ultimamente ando esbarrando nela a todo instante, do jeitinho que a deixei há quarenta e tantos anos atrás: extremamente tímida, sobressaltada, sem defesas para um mundo que lhe parecia por demais hostil e complicado.
De família numerosa, assoberbados pais não tinham tempo para entender a minha interna tragédia, tampouco para resgatarem-me dos dramas que a minha criança resolveu sozinha e resolveu completamente errado. Incorporei todos os rótulos que me deram nas minhas primeiras tentativas de convivência entre os humanos: desajeitada, limitada, mela-festa, esquisita. Então, a minha criança entendeu que para merecer fazer parte da vida e receber um mínimo de carinho e aceitação, era preciso fazer coisas heróicas e grandiosas: em cima desta idéia pautei toda a minha existência.
Tenho que dar um salto aqui- não interessa narrar os meus grandiosos e heróicos feitos- mas preciso ressaltar sim, os desumanos sacrifícios despendidos nesta empreitada e para onde eles me levaram: depressões profundas e síndrome do pânico cujas sequelas ainda hoje se fazem sentir.
Às vezes me pergunto por que o 'supremo' não intercedeu por mim naquela época, mandando-me uma angélica criatura para lembrar-me que nada daquilo era preciso e que a despeito das minhas esquisitices, eu era merecedora de amor respeito e aceitação?
Esta narrativa fica pela metade, pois só agora começo a dar-me conta do tamanho e da gravidade do equívoco. Só agora estou disposta a romper a muralha de aço entre o meu eu adulto(e mal resolvido) e aquela criança que não me permiti ser e que agora explode à minha revelia, não aceitando mais o porão escuro onde a trancafiei por tantos anos.
Espero que haja tempo para resgatá-la e deixá-la ser feliz pela primeira vez na vida, sem que nada ela tenha que fazer de sobre-humano, de heróico ou grandioso, de notório ou relevante.
Perdoa-me, minha criança! Eu joguei duro demais com você, por ignorância.
Liberto-a agora! Esteja feliz! Esteja em paz!" (IOLANDA ALVES)


Me emocionei ao ler este depoimento de uma amiga. Logo corri e pedi autorização para publicá-lo no blog. Por que? Porque ele retrata a (triste) realidade de muitas pessoas. Bom, a verdade mesmo é que existe uma grande MAIORIA de pessoas que se despede desta vida sem sequer ter pensado a respeito. Sem sequer ter SE pensado!

Você já parou para se perguntar o que pode existir de real por detrás das nossas (melhores ou piores) motivações? Esta pergunta não é válida apenas para aqueles que tentaram sufocar a criança que sempre existiu dentro de si, mas para todos. Muitas vezes, tal como a dona Iolanda percebeu, está o fato de os que nos cercaram não puderam aceitar a nossa genuína e autêntica criança, ou pelo medo que ela mesma tinha de ser fatalmente ferida. Isso se chama DEFESA. Estruturamos nossa personalidade com elas e crescemos escondidos por detrás delas (mais pra frente, pretendo abordá-las, mas, hoje, especificamente, demos maior ênfase na importante "criança que eu não fui").


Ela está lá. Nunca deixou de existir. Está lá e, o que é pior, muitas vezes chorando, pedindo para ser vista e amada na sua simplicidade. Sim, ela é simples e feliz na simplicidade das coisas.
Que troca é essa que fazemos para sermos melhor "aceitos" pelo mundo? Onde foi que aprendemos que maturidade é sufocar a criança que há em nós, ou, em outras palavras, A NOSSA MAIS AUTÊNTICA E GENUÍNA FACE? Ahh, essa mania de querer agradar a todos (assunto que abordei na 1° postagem deste blog). Isso vicia! E, como todo vício, passa dos limites, e, portanto, prejudica - muitas vezes surtindo efeitos e sequelas, aliás, bem mais graves do que de substâncias químicas, pois é um vício psicológico e que quase mata o nosso EU! Digo QUASE porque ele tem uma força titânica e permanece VIVO, mesmo que seja apertado e espremido por todos os cantos.

E esse vício ocorre em cadeia: alguém aprendeu assim, reprimiu a sua criança, e, consequentemente, passou a julgar e "rir" de todos aqueles que não faziam o mesmo. E aqui chegamos, hoje, muitos de nós. "Aquilo que julgas é o que reprimes". Desconheço o autor desta frase, mas, embora seja difícil de admitir, é uma tremenda verdade!

Brincar...deixar a imaginação fluir...descobrir caretas nas nuvens, correr de pés descalços na chuva, andar na roda gigante, ouvir uma música que gosta e dançar até perder o fôlego, sem precisar estar num ambiente socialmente "preparado" para isso. CHORAR quando está aborrecido, mesmo que não faça o menor sentido para os outros. SILENCIAR (coisa desconfortante para os adultos de hoje) quando estiver afim...É possível que não tenha sido essa criança que você tentou (ou tenta) sufocar, mas a minha, foi. Até o dia em que consegui desfazer a confusão entre o conceito de ser CRIANÇA e ser INFANTIL!


E agora, dando,então, o MEU depoimento, compartilho que, na minha adolescência, eu tentei me adequar a padrões, tentei dar mais importância à roupa que eu vestia e a sorrir falso para parecer "sociável", dando mais ênfase no TER e PARECER do que SER. Cheguei a começar a armar sorrisos diante de coisas fúteis e que sabia que eram erradas.
Lembro de algumas vezes em que fui "verificar" como eram as boates (já que "todo mundo" na minha idade ia) e algo estranho acontecia: sempre que chegava em casa, eu chorava de tristeza pelo que via e, ao mesmo tempo em que sentia uma certa "solidão" por não conseguir me adaptar, sentia um imenso orgulho disso e sabia que não queria aquilo pra mim. Percebi que a minha criança, diante de tudo, heroicamente se revoltou e se impôs, quando, em lugares semelhantes a esses, tentaram-na ensinar a melhor maneira de caminhar para agradar os garotinhos, a colocar uma roupa sensual, provocativa e sair caminhando sem rumo, pelo simples prazer de exibir o meu corpo e, ainda por cima, demonstrar ficar "ofendida" para os que "mexiam" comigo. Ahh, quanta pobreza e falsidade... durou pouco!
Sim, a minha criança foi quem, ironicamente, não admitiu: como aquilo a irritava...ela repetia nos meus ouvidos: quanta traição a si mesma! Então eu entendi que ISSO, PARA ELA, É O QUE SIGNIFICA AGIR COM INFANTILIDADE! Eu me sentia suja, desleal com ela, que sempre se demonstrara tão fiel, e vi que, embora eu tivesse tentado impedir o seu crescimento, ela tinha forças próprias, continuava viva, observadora e muito mais esperta e sábia do que eu imaginava.

Até o dia em que o esforço foi tamanho que, chegando em casa, sentei,olhei para a parede,e as lágrimas, aos poucos, começaram a correr e, em segundos, eu chorava compulsivamente...claro que não foram os amigos - que eu acreditava ter - que vieram demonstrar compaixão, mas, sim, minha MÃE que, ao me ver, me abraçou e chorou comigo, MESMO SEM SABER A RAZÃO! Mãe...essa, sim, não tem explicação! Muitas vezes a gente briga, reclama... mas ABENÇOADO de quem tem uma mãe (e/ou um pai, ou quaisquer que exerçam essa função) que demonstra amor INCONDICIONAL! Porque é a figura dessa pessoa que, mais tarde, vai fazer com que a gente lembre que não precisa se adequar a estereótipos para ser aceito e feliz COISA NENHUMA! Porém, mesmo quem não tem essa pessoa na família, pode encontrá-la em outras que cruzem o nosso caminho e nos dêem uns "tapinhas na cara" para acordar - a "criatura angelical" da qual a dona Iolanda falava!

Eu tive essa sorte. E, "coincidentemente", lembro que foi nessa época que eu também comecei a olhar para dentro de mim e comecei a conhecer...A DEUS! E, do lado de fora, também comecei a perceber as inúmeras tentativas dele "plantando bananeiras" para chamar a minha atenção e ouvir: "VOCÊ É MINHA FILHA E NÃO PRECISA DISSO; EU TE AMO; AME-SE TAMBÉM!" Então eu comecei a entender a razão do que estava escrito: "Ame a Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo COMO A TI MESMO!" (Lucas 10.27). Você já se deu conta de que, antes do mandamento para amar os demais, está o mandamento implícito do "AMA A TI MESMO"??? Pois é...essa descoberta quebrou correntes rígidas que estavam se construindo dentro de mim - ME LIBERTOU! "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8.32)

Então, com a cara e a coragem - na verdade, tremendo de medo - eu engoli o choro, atirei tudo pra cima e dei "a cara a tapa". Quer saber o que realemente aconteceu? L-I-T-E-R-A-L-M-E-N-T-E, eu apanhei NA CARA! Do grupo das minhas "amigas" adolescentes, que cresceram comigo, dormiam na minha casa e procuravam justamente a mim quando tinham um problema para resolver. Só que eu descobri que tudo tinha uma condição: que eu fosse tal qual elas: tinha que andar na mesma marcha, compasso, ritmo, caminhar na mesma direção e sentido (mesmo que não houvesse direção e sentido algum, ou que eles levassem a um fim trágico). Imagina a cara delas quando eu comecei a agir conforme EU julgava melhor! Aceitar a minha criança implicaria em elas terem que admitir e aceitar que existe outra dentro delas gritando por socorro e que, na verdade, precisavam, também, mudar, para salvá-la! E, provavelmente elas temiam não ter força para isso (e eu não as julgo por tal, pois, como eu disse, inicialmente, eu tremi de medo - mas é preciso ir além para derrotá-lo).

...Durante muitos anos foi muito difícil, para mim, falar deste episódio. Eu sentia vergonha, achava que não tinha me imposto como "deveria": ter dado uma bela de uma surra em cada uma, mais tarde! Mas "algo mais forte" segurou a minha mão e fez com que eu compreendesse que a vingança não precisava vir de mim (além do que, não me convinha): elas já estavam pagando um alto preço! E, hoje, cerca de 14 anos depois, encontro muitas que já nem se reconhecem no espelho; não sabem quem são, para que vivem; simplesmente existem. A raiva e a mágoa que eu tinha se transformaram em compaixão. E o trauma, EM GRATIDÃO A DEUS!!!

Paguei - e pago, muitas vezes - o alto preço pela minha criança! Mas, se assim não fosse, talvez eu continuaria rigidamente acorrentada na traiçoeira falta de autenticidade, até o fim da minha vida: NÃO SENDO AMADA PELO QUE HÁ DE MAIS VERDADEIRO EM MIM, NA MINHA ESSÊNCIA! Sem saber o que é ser verdadeiramente amada.

Eu recebi um grande presente da vida quando resolvi fazer as pazes com a minha criança: as pessoas do meu convívio passaram a ser pessoas que se aproximavam de mim pelo que eu realmente ERA! Conheci amigos geniais, que também tinham vencido o medo de deixar a sua criança falar mais alto! Foi um momento revelador e lindo...! Aquelas falsas amizades, aos poucos, se desfizeram e, no lugar, se construiu uma rede social de relacionamentos SÓLIDOS e duradouros!

E, hoje, eu venho te encorajar a fazer o mesmo, caso você ainda esteja se esforçando em esconder a sua criança atrás de alguma máscara. Não amá-la, é rejeitar a sua essência, e a maior traição que poderás continuar cometendo contra si mesmo. Além de perda de tempo de vida realmente vivida!

E, aqui, antes de finalizar, gostaria de salientar que eu não estou estimulando a uma desobediência a regras sociais, algumas de conduta, inclusive. Que fique claro que não! Como indivíduos inseridos no coletivo, precisamos, até certo ponto, nos ajustarmos, tomando consciência dos nossos limites - isso é saudável! Mas que isso realmente seja praticado até o ponto em que é, de fato, SAUDÁVEL! Você não precisa tentar ser IGUAL a ninguém para ser feliz. E, mesmo que quisesse, graças a Deus, isso É IMPOSSÍVEL! Deus nos fez com uma impressão digital que nenhum outro ser no mundo teve ou terá igual! E, mais do que isso, nos deu uma "impressão digital" da nossa personalidade: o conjunto completo de traços, características, que fazem do nosso caráter único!
Além disso, somente olhando para si com transparência e honestidade, poderás ver quais os pontos em que precisa melhorar, e quais as suas competências em que pode investir ainda mais (aquilo que já há de bom e melhor)!


Onde está a criança,outrora ferida, que hoje procura espaço no espelho? Você ainda é capaz de se reconhecer-se na sua essência?


P.S: Obrigada, dona Iolanda, por compartilhar de tão sublime descoberta de si mesma, nesse depoimento autêntico e revelador, que nos ajuda a repensar em tantas coisas que fazemos por acreditarmos sermos as melhores, sem percebermos que estamos empreitando um grande engano contra nós mesmos. Teu depoimento foi gatilho disparador para eu escrever sobre o que já vinha elaborando há um tempo, além de servir de testemunho para muita gente que vai lê-lo. Fiquei emocionada e feliz por você! Deus te abençoe e ajude a deixar a sua criança livre e feliz! Em tua homenagem, deixo o versículo: "Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram."(Mateus 13.17)