13 de fevereiro de 2015

Uma reflexão e um desabafo

Eu, que sou da geração em que os amigos se reuniam em casa ou saíam juntos simplesmente pelo prazer de se estar junto; em que telefone só servia pra marcar o horário de buscar o outro ou de encontrá-lo em algum lugar; em que as amigas se reuniam pra "dormir" (passar a noite conversando) uma na casa da outra...
Eu, que sou do tempo onde os olhos, a entonação da voz, as expressões faciais e das mãos faziam parte da conversa... Que tive uma infância e adolescência onde as amigas trocavam cartas (literalmente), mesmo sabendo que iam se ver no final de semana seguinte, pra dizer o quanto uma era especial pra outra, pra fazer uma homenagem ou compartilhar uma mensagem legal que viu por aí (sim, isso acontecia há 15 anos atrás e passa um filme de boas lembranças, que dá gosto de ter vivido, na minha cabeça)...
Eu sou feliz por ter feito parte do que hoje percebo ter sido talvez a ÚLTIMA geração a ter o privilégio de experimentar o que são relacionamentos verdadeiros!
Mas fico profundamente triste por estar falando de tudo isso no passado.
Hoje, estou me sentindo perdida.
Estou, definitivamente, sem saber como agir numa era onde as pessoas são viciadas em relacionamentos virtuais e superficiais, ocupadas demais (com o que não importa) para estabelecer vínculos profundos, pra andar junto e ouvir o outro com atenção integral. Assumo meu fracasso ao não saber lidar com uma geração preguiçosa e impaciente ao ponto de não mais conseguir conversar, não só pessoalmente, mas nem sequer, por chat's. Duvida? Escreve mais de 5 linhas e espera pra ver se alguém vai ler ou retornar.
Estou honestamente preocupada com o fato de que ainda pode piorar, e me sentindo um peixe fora d'água (imagino que não seja a única). Fui muito "mal" (bem) acostumada para conseguir me conformar com tão pouco. Me vejo tentando - por vezes, desesperadamente - resgatar valores e princípios que foram trocados por migalhas, com que as pessoas percebam o que estão perdendo, encorajá-las a irem além e... pra minha surpresa, às vezes até recebo um rechaço por isso. Sim, isso é querer demais, nos tempos atuais. Como ousa "exigir" tanto? É, eu devo ser mesmo muito retrógrada (olha o tamanho deste texto!).
Mas, como diz uma música dos Titãs: "eu não vou (e não quero) me adaptar".

(Texto escrito em Novembro/2014)

11 de setembro de 2014

Tudo, nada, sempre e nunca

Desconfio de afirmações que contêm palavras como "tudo", "nada", "sempre" e "nunca", "todos" e "nenhum". Desconfio, principalmente, de pessoas que as utilizam com muita frequência em seus discursos.

Elas costumam ter o hábito de catastrofizar a vida, passam uma impressão de desespero e precisam se agarrar a extremos para sustentar suas supostas certezas.

Existe uma coisa na vida chamada "meio-termo". Existe outra chamada "exceção". E, outra, ainda, "equilíbrio". Elas passam uma impressão de bom senso e de sabedoria. Quando leio/ouço essas palavras ou ideias que remetem a elas, sei, então, que estou lendo ou ouvindo uma provável verdade e que estou em boa companhia.

12 de março de 2014

Compartilhando desinformação

Impressiona que, com toda a prática de uso da internet que as pessoas têm, hoje, não tenham por princípio desconfiar de muitas informações nela divulgadas e pesquisar um pouco, antes de replicar. Compartilham de tudo, sem sequer verem se as fontes são confiáveis e, pior, emitem opiniões e fazem debates (quando não entram em pé de guerra) em cima de informações falsas.

Obviamente que nenhum de nós está livre de eventualmente se equivocar diante da variedade de informações a nosso alcance, mas, em geral, um mínimo de esforço (e este é o problema) é suficiente pra se certificar se a notícia procede ou não. Há coisas absurdas sendo compartilhadas por aí! Não custa ponderar um pouco, antes de levar adiante uma desinformação.
Às vezes, aparenta que o povo está mais interessado no sensacionalismo do que na verdade, mesmo - mas ainda prefiro pensar (embora não seja tão melhor) que isso aconteça, em parte, por uma certa ingenuidade.

Ninguém precisa ou pode entender sobre tudo. Portanto, se não domina o assunto, pergunte, pesquise, considere a hipótese de dúvida, antes de concordar, de se escandalizar e, principalmente, antes de clicar em "compartilhar".

8 de março de 2014

Ser Mulher

Ser mulher é contemplar em si esse contraste de uma força extraordinária, de algum modo (meio mágico) misturada a uma delicadeza singela e de aparência frágil.
É necessitar de proteção, ao mesmo tempo em que possui um instinto protetor inigualável e que sabe cuidar como ninguém. É ser este ser evoluído, de sexto sentido apurado, dotado de um dispositivo capaz de decifrar olhares e tons de voz e de ouvir além do que dizem as palavras. É ser essa teia cheia de mistérios que, qualquer um que ame verdadeiramente, adquiriu o dom de desvendar.

A todas as mulheres que fazem parte da minha vida, amigas e familiares, um Feliz Dia da Mulher - todos os dias! ;)

13 de janeiro de 2014

O descanso da palavra

O silêncio tem tanto a nos dizer... e paramos pouco para escutá-lo. Sim, é um paradoxo. Mas precisamos desaprender o que outrora internalizamos: que o aprendizado depende de som e de palavra. A realidade é muito mais do que isso e há verdades, no Universo, maiores, que não caberiam no verbo. Muito têm a nos ensinar a contemplação silenciosa e a apreciação da quietude. Na realidade, é lá que, na maioria das vezes, a tranquilidade e a sabedoria se encontram: no descanso da palavra.

2 de janeiro de 2014

Ando me escandalizando com o absurdo - é uma novidade, nunca fui disso. Mas realmente há coisas que cansam e é exigir demais de si mesmo que se tolere! A gente precisa conhecer os próprios limites. Se o exercício da tolerância traz grandes benefícios, por outro lado, é preciso cuidar pra que ela não se torne complacência.

Eu vou é atrás do que me faz andar pra frente - ou melhor, do que não me impede de fazê-lo. Há tanta vida pulsando em mim, há tanto o que fazer, e não podemos deixar de viver a plenitude do nosso potencial porque outros se sentem ameaçados por ele. Tem gente que tem medo da luz! Isso sempre existiu, sempre existirá. Se formos viver nessa perspectiva, não seremos o que Deus nos criou para ser, não diremos ao mundo a que viemos. Não é nossa obrigação retroceder uma ou mais casas pelo bem da convivência - ela é muito importante, mas não é o mais importante. Cada um tem os seus caminhos.

28 de dezembro de 2013

Retomando o passo

De tempos em tempos, precisamos rever onde estamos empregando nossa atenção e com o que temos dissipado nossas energias. O caminho é desconhecido e cheio de percalços e distrações a que, não raro, nos apegamos desnecessária ou exageradamente. É neste momento que coisas irrelevantes e não essenciais começam a ganhar tamanho e espaço e perdemos o foco.
É quando precisamos olhar pra trás, voltar no ponto de onde nos perdemos e retomarmos o passo certo, na direção do que realmente importa e que nos leva a um reencontro com a essência.

3 de dezembro de 2013

Vem pra valsa

Eu gostaria de poder te convidar a dançar uma valsa e bailar ao canto da vida. Rodopiaríamos e riríamos leve, você me conduzindo e eu me permitindo levar, confiante estar em braços seguros. Nossos passos andariam em sintonia, completando-se num movimento harmônico e gracioso. Riríamos dos nossos erros e tropeços, diante da vertigem de tanto rodopiar ou da embriaguez provocada pela paixão dos nossos olhares. Nessa valsa, descobriríamos a aventura de viver a dois e ousaríamos entrar e permanecer nela de mãos dadas. E, se um dia a música faltasse, nós, então, daríamos à vida o nosso canto.

15 de novembro de 2013

Inexprimível

É como andar em um balanço, sentindo o corpo leve e o vento tocando o rosto. É como flutuar em águas tranquilas, sentindo a superfície da água beijar a superfície da pele. É como contemplar o pôr-do-sol ao som do canto dos pássaros e perceber que há muito mais além do que nossos olhos podem alcançar. É como efeito de música calma sobre emoções inquietas. É como um mergulho no mar em dia quente. É como andar descalço na areia fresca. É como beber água direto da fonte, sentindo-a passar pela garganta e aliviar a sede.
É como chegar em casa e encontrar o abraço da nossa cama, após um dia intenso de trabalho. É como o colo de quem a gente ama; como o abraço que acalenta a alma. É como sorriso genuíno de criança. Como aquele gesto de amor tão puro, que te constrange e te deixa sem palavras...
É tão leve, tão fresco, tão pleno, tão puro, tão aconchegante, tão simples e tão completo, que é quase inexprimível...
Assim é descansar nos braços do meu Deus!

Natalie Laux

11 de novembro de 2013

O caminho inverso


Tudo mudou quando eu descobri que preciso sorrir para ser feliz e, não, estar feliz para sorrir. Tudo clareou quando entendi que preciso ser grata para me sentir satisfeita e, não, estar satisfeita para agradecer. A vida ganhou mais sentido desde que compreendi que preciso me doar para me sentir completa; não, estar completa para me doar. E que dividir-se é multiplicar-se.
O mundo tem mais cor desde que enxerguei que devo agir para me sentir motivada e, não, esperar a motivação para, então, agir; que tenho de ter iniciativa para mudar as circunstâncias, e não, esperar que elas mudem para ter iniciativa. 
Minha cruz ficou mais leve quando entendi que preciso descansar para suportá-la; e, não, suportá-la, para, como recompensa, obter descanso. O caminho se tornou mais emocionante quando passei a encarar as dificuldades não como problemas, mas como desafios.
Os homens me ensinaram a correr atrás da felicidade e, assim, me deixei convencer de que eu não era feliz... e a perdi. Foi, então, que descobri que ela já estava mim e que eu apenas precisava aprender a não vendê-la, na esperança de, um dia, alcançá-la. Hoje, compreendi que preciso ser feliz para viver bem e não, viver bem para ser feliz. 

Natalie Laux

11 de setembro de 2013

Saúde mental, insensibilidade e preconceito social

Isso é algo que acontece todos os dias, infelizmente com maior frequência do que imaginamos; mas vou trazer o tema à tona porque, recentemente, mais uma pessoa pública desistiu da vida: Champignon, da banda Charlie Brown Jr; não bastasse o querido Chorão ter cometido o mesmo ato, há 6 meses.

Sem julgamentos... O que estou tentando entender é por que muitas pessoas que estão em sofrimento psíquico não buscam ajuda!
Será que é porque nossa sociedade ainda está contaminada pelo preconceito com o adoecimento mental e emocional? Será que não entende que corpo e mente possuem uma comunicação direta e que, se um não está bem, o outro vai de mal a pior?
O ser humano é um só, não é dividido em partes independentes, a menos que para fins didáticos, somente.

E será que nós, familiares, amigos, colegas de trabalho, andamos tão insensíveis que não somos capazes de enxergar os sinais evidentes do desespero em que o outro se encontra ou ouvir seu grito de socorro? Ou, então, tão individualistas a ponto de fingirmos não estar percebendo?

Se é isso, eu desejo, do fundo do meu coração, que estes preconceitos e esta insensibilidade que nos cercam caiam por terra, de uma vez por todas, e o quanto antes; para que milhares de vidas, ceifadas voluntariamente, todos os dias, possam ser poupadas. E para que muitas pessoas que se encontram em sofrimento psíquico, pelos mais variados motivos, possam ter mais qualidade de vida, e vida plena.

Jamais tenha vergonha de buscar ajuda profissional! Quem sente o que está se passando aí dentro é você, ninguém mais; e quanto mais tempo deixar passar, maiores as chances de agravar a situação. Portanto, reaja enquanto possui força para reagir!

Jamais desestimule alguém a buscar ajuda! Você pode ser co-responsável por coisas que jamais desejaria que acontecessem. Antes, encoraje-o!

E que nossos olhares, de nós todos, estejam mais atentos e nosso coração mais sensível ao sofrimento alheio.

P.S.: cristãos, enquanto seres humanos, não estão imunes ao adoecimento físico, nem mental ou emocional (basta ler um pouco da Bíblia para perceber). Portanto, sejam sensíveis e, por favor, não emitam comentários legalistas, como se fossem melhores do que qualquer outra pessoa - o que, aliás, já seria indício de adoecimento. Obrigada!

29 de abril de 2013

Eu escolho seguir em frente


Não tenho mais paciência pra gente que gosta de andar pra trás. De ficar estagnada na zona de conforto: não se confronta, não se questiona, não se desafia, não se desconstrói. Não faz diferença na vida das pessoas, vive para si mesmo, sempre no mesmo círculo de pessoas que optaram por viver em igual retrocesso. Tem tudo, vê tudo, ouve tudo, mas se finge de morto: não sente nada. Muitas vezes, a gente tenta abrir os olhos de alguém, quando descobre que, na verdade, ele esteve enxergando perfeitamente o tempo todo, e ficou onde está por escolha - e, bem... essa é a instância em que não podemos interferir e em que passa a ser perda de tempo e desgaste próprio insistir em fazê-lo. Quando se der conta disso, não tente mais empurrar a carroça, pois, muito em breve, é você quem estará sem forças!

Gente que pergunta como você está, mas não está nem um pouco interessada em saber, uma hora cansa! Que dá aquele abraço apenas trivial, habitual, e nunca aquele que a gente sente na alma! Todos necessitamos ter nossas energias reabastecidas.
Eu quero e preciso estar perto de quem escolhe amar, diariamente; de quem cuida, acolhe e de quem também me ofereça presença e um sorriso quando eu não puder oferecer o meu. Que não brinca de ser o que prega, mas ao menos se esforça para ser um pouco daquilo em que acredita!
Gente que quer aprender, crescer, amadurecer. Porque eu vou precisar dessas pessoas do meu lado quando eu desanimar, e o simples fato de elas se importarem de verdade, já será suficiente para eu voltar a acreditar.


Chega uma hora em que insistir no convívio com pessoas que, apesar de uma aparência agradável e sociável, são indiferentes e egoístas, se torna perigoso: abate o espírito, traz sede e fome à alma, murcha o coração, entristece um dia de sol, atrasa a vida. Por isso, me desculpem os acomodados, mas é pra frente que eu escolhi seguir e vou. Dos quem quer ficar pra trás, hoje, me despeço. E, principalmente, me liberto!

7 de janeiro de 2013

Olhar para ti é o que me sustenta


O que me sustenta é olhar para ti, constantemente, e desviar minha atenção de homens comuns. É saber que os erros que se comete "em teu nome" não possuem a tua assinatura e nada têm do teu caráter e da tua vontade. É ver, ainda que em meio a nuvens e com a visão quase turva, em alguns momentos, que teu coração se entristece deveras - muito mais do que o meu, que sei tão pouco sobre a vida - quando os homens colocam mentiras na tua boca, visando próprios interesses, projetam em ti suas irresponsabilidades e te tratam como um "gênio da lâmpada" sempre  disposto a realizar seus desejos mais egoístas.
Mortes, violência, desigualdade, guerra, fome, lares destruídos, crianças abandonadas... Nada disso tem o teu aval e tudo vai contra a tua ordem: o AMOR! Ah, Deus, como os homens são tolos e comodistas... Ensina-nos, Pai, a viver segundo a tua sabedoria!

30 de dezembro de 2012

Mentir pode ser sinal de inteligência? Um convite à reflexão.

Por diversas vezes em que estive diante de situações nas quais mentir me traria, em um primeiro momento, grandes vantagens, fui incentivada por amigos, familiares e conhecidos, a utilizar deste artifício (a mentira). E imagino que você também. 

Mas a última vez, em particular, que isso me aconteceu, me chamou um pouco mais a atenção: uma pessoa - por quem, aliás, tenho grande admiração - numa intenção que parecia mesmo sincera de me ajudar, disse-me que, em dados momentos, uma "pequena mentirinha" faz bem, para se "evitar problemas". Naquela situação, em especial, significaria eu dar qualquer outra desculpa para o fato de estar evitando uma pessoa da minha família, que não implicasse em encará-la e dizer a verdade para ela. Isso, provavelmente, ocasionaria um desconforto e uma discussão.

O fato é que o argumento que esta pessoa utilizou era, de certa forma, inteligente e realmente me deixou pensativa: ela disse que tinha visto um estudo, feito com crianças que, colocadas em uma sala de espelhos (ou seja, observadas, sem saber, por pessoas que estavam do lado de fora), recebiam a ordem para, quando fossem deixadas sozinhas no ambiente, não olhassem o que tinha sido colocado atrás delas. Assim, havia 3 grupos de crianças: 1) as que olharam para trás e, quando questionadas, mentiam, dizendo que não tinham olhado; 2) as que não olharam para trás; e 3) as que olharam e confessaram que tinham descumprido a ordem. 

Assim, este estudo teria concluído que as crianças do primeiro grupo (que mentiram) tinham uma "inteligência emocional" maior do que as demais, uma vez que o ato de olhar para trás seria sinal de um instinto natural de sobrevivência, na hipótese de que o material desconhecido pudesse significar algo que as colocasse em risco. 

Pois bem... eu, que sempre tive enraizada em mim, a certeza de que a mentira tem perna curta e não convém em situação alguma, confesso que fiquei deveras intrigada e passei a ficar em dúvida. Naquele momento, não respondi nada e fui para casa me questionando: "Será que ela não tem uma parcela de razão? Será que uma mentirinha, às vezes, não facilitaria, mesmo, as coisas pra mim e para os outros? Será que eu não estou sendo muito rígida ao sempre me policiar para falar a verdade (ainda que observando a necessidade, o momento e a maneira certa de dizê-la)?" E a dúvida que mais me incomodava: "Será que eu não estou sendo inteligente ao proceder assim??? Afinal, quem sou eu para ir contra o que foi comprovado por um estudo?" 

Essas perguntas me inquietaram por alguns dias. E então, eu pensei: Ora... quem sou eu? Um ser humano dotado de cérebro, de racionalidade e com uma certa dose de experiências de vida que me dizem que este estudo é limitado e que a conclusão tirada com base nele é falha.

Em primeiro lugar, o estudo se refere a crianças, ou seja, a seres humanos que, devido ao estágio de desenvolvimento no qual se encontram, são mais primitivos, impulsivos, individualistas e inexperientes. Crianças reagem mais espontaneamente aos estímulos, ainda possuem pouco domínio próprio (físico e emocional), noção limitada das consequências de seus atos e estão em fase de testar/experimentar o mundo e a realidade, de conhecer as coisas. E é natural que assim seja, isso é inerente e saudável ao seu desenvolvimento, desde que preservados os devidos limites!

No entanto, com base nisso, afirmar que uma pessoa adulta mentir (ainda que seja uma "mentirinha") seja indicativo de inteligência, definitivamente, não é uma conclusão sensata!

Vejamos que, embora na infância essa conduta possa ser "aceitável" (talvez - apenas talvez - inclusive, um bom sinal), é esperado que, ao longo tempo - nos próximos estágios de desenvolvimento - a criança passe a internalizar os limites da realidade: que tome consciência de que vive em grupo (socialização), reflita antes de (re)agir, devido à percepção de que suas atitudes exercem consequências sobre si mesma e sobre outras pessoas. É esperado que ela passe a ter mais empatia, sendo mais solidária às necessidades alheias e não colocando sempre a sua vontade acima de tudo - afinal de contas, não é assim que a música toca.

A realidade é que, pelo mesmo instinto de preservação/proteção/sobrevivência (para seguir a mesma lógica da argumentação), pessoas precisam sentir confiança nas outras pessoas que as cercam. Caso contrário, podem ser feridas, traídas/enganadas - o que significa ameaça ao instinto de preservação/sobrevivência. Portanto, pelo menos dentro do padrão de "normalidade" (do saudável), é esperado que, diante de tais ameaças, as pessoas se afastem.

Logo, por mais que o estudo possa ter sua parcela de verdade, foi aplicado com crianças e suas conclusões se referem apenas a esta população. Assim, se você é adulto, este estudo não serve para você - portanto, aja como adulto!

E uma brecha importante que o estudo deixou foi o de considerar que as outras crianças podem ter sido ainda mais inteligentes ao dizer a verdade, uma vez que podem ter tido a percepção (mais evoluída do que a esperada para sua idade) de que isso lhes custaria a credibilidade frente a outras pessoas.

Quando me dei conta disso, respirei aliviada e, confesso, agradeci a Deus por eu ser "teimosa", pois, por pouco (bem pouco) não me deixei convencer pelo argumento da "mentirinha boa". Claro que não estamos falando daquela brincadeirinha que você faz pra "zoar" com o amigo e, pouco depois, desmente, e muito menos do passeio ou desculpa que você inventa pra distrair seu/sua namorado(a), enquanto os amigos preparam uma festa surpresa no seu aniversário! Bom-humor é essencial à vida e, nestes casos, você não está com o interesse de se safar de alguma mancada que deu, de enganar alguém visando o próprio benefício, às custas do prejuízo do outro. Definitivamente, ninguém vai duvidar do seu caráter por isso!

Estamos falando da mentira egoísta, covarde e comodista - ou seja, a maioria delas. Aquela que se comete pensando somente em si, prejudicando outras pessoas e/ou temendo enfrentar as consequências de seus atos! Essa, meu amigo, não lhe aconselho, em hipótese alguma. Aliás, digo  ainda mais: CORRA dela, pois é uma cobra traiçoeira!

Esse tipo de mentira é como uma droga, da qual você começa experimentando uma pequena dose. No início, poderá, aparentemente, te "livrar" de um problema, te ajudar a fugir dele. Então, você experimenta mais um pouco, porque pensa que "não dá nada". Você até gosta do primeiro efeito, da sensação de risco e, quase sem perceber, começa a consumi-la com frequência e em doses cada vez maiores. Porém, quando "acorda", no fundo, sabe que nada está resolvido! Seu peito aperta, sua consciência pesa, mas fica difícil parar. Até que se dá conta de que já não consegue controlar o impulso, de que ela se tornou um hábito, que você está dependente. Logo à frente, vai se deparar com os problemas que não enfrentou lá atrás e perceber que eles foram apenas jogados pra frente e se tornaram uma "bola de neve", ficando bem maiores - e, algumas vezes, com consequências irreversíveis. Vai se dar conta de que essa droga, a mentira, te afastou dos teus amigos  e das pessoas que te amam. E aí, quando menos esperar, perceberá que você é quem foi consumido por ela!

Mentir, para uma pessoa adulta, não é sinal de esperteza e, muito menos, de inteligência! É uma forma de se acovardar perante os fatos, de não se responsabilizar por seus atos, de permitir que os problemas se tornem maiores, em vez de buscar solucioná-los, de enganar a si mesmo e ao mundo que, consequentemente, lhe dará as costas!

Por isso, tenha como princípio manter-se íntegro e honesto! Não ponha seu caráter sob suspeita, tanto mais se for por um motivo banal, um problema que pode ser solucionado com diálogo. Se você errou, por maior que tenha sido seu erro, prefira ser sincero e confessar, pois, acima de tudo, isso irá demonstrar às pessoas que a confiança que depositaram em você valeu a pena - e, a menos que você não queira acabar sozinho na vida, meu amigo, tenha isso como uma das maiores riquezas da vida! 

E, sim, isso também vale para o ambiente profissional! Ninguém está livre de inventar um “diga que não estou” e ser pego no flagra, dar uma desculpa e perder a confiança de um cliente, colega ou chefe. Você pode ter a melhor qualificação técnica no currículo, mas, se não se relacionar bem e não inspirar confiança, esteja certo de que não vai parar em empresa alguma! E confiança é delicada como cristal: depois que quebra... bem, você sabe! 
Se você for realmente esperto, vai perceber que, falando a verdade, ainda tem uma boa chance de ser valorizado por sua integridade, enquanto que, se mentir e for descoberto, a possibilidade de perder a credibilidade e ser demitido é incomparavelmente maior!

Portanto, que a integridade seja o seu diferencial e a honestidade a sua marca registrada!

Inteligência é perceber que, por mais que a verdade possa ter um gosto amargo, ela liberta e cura; enquanto a mentira, por mais doce que pareça , prejudica, aprisiona e envenena. É observar, como li certa vez, que "basta uma mentira para colocar todas as suas verdades em dúvida". E entender, como muito bem disse Chaplin, que "a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna."

(N. Laux)

9 de agosto de 2012

Tudo é vaidade e correr atrás do vento

Às vezes a gente corre tanto, e de forma tão automática, que não separa sequer um minuto pra refletir sobre atrás do que, realmente, vale tanto a pena correr...e, mais do que isso, se vale!


Com certa frequência me pego a pensar na intrigante afirmação do Rei Salomão: "tudo é vaidade e correr atrás do vento" (Eclesiastes 2:17). 

Palavras que, se por um lado soam pessimistas, por outro, abrem nossos olhos para a realidade da vida. Atrás do que tanto corremos? Pelo que tanto suamos? Quem nos mandou ir para onde estamos indo? O que estamos fazendo realmente é o que achamos que deveria ser feito? As regras que temos seguido fazem, para nós, algum sentido...?
Que riquezas temos acumulado - elas possuem algum valor eterno? O que, de mais precioso há na nossa vida, que temos dado em troca delas?
Quais princípios têm nos regido?
O que, de fato, vale a pena e não consiste apenas em correr atrás do vento - algo passageiro que, no fim, era apenas vaidade, apenas orgulho, apenas o desejo se suprir expectativas alheias?

Tenho sido confrontada com esses questionamentos. Desafiada a organizar as coisas dentro de mim: quais delas são expectativas dos homens, quais são anseios meus, e quais são a vontade do meu Pai! E a pensar, principalmente, se elas coincidem entre si. Porque, se não coincidem, não estou sendo coerente, nem inteira, mas, antes, estou dividida em partes que não se tocam, se desconhecem - e isso adoece a alma!
Tenho sido desafiada a estar consciente de como tenho levado a minha vida, se as coisas com que tenho gasto minha energia são realmente importantes e úteis e, mais do que isso, quais das minhas atitudes ecoarão na eternidade.

E agradeço a Deus por isso... por não permitir que meu espírito se acomode, ao mesmo tempo em que lhe traz Paz; por iluminar minha mente e instigá-la a fazer perguntas e a pensar, sem perder a sanidade; por fazer caírem vendas dos meus olhos que poderiam me levar a cair em poços sem fundo; por iluminar o meu caminho, pra que eu não entre em caminhos sem volta. E, acima de tudo, por me fazer saber que, mesmo nas tribulações, Ele está no comando e presente, e que elas carregam em si o propósito de me tornar alguém mais nobre e segundo o Seu coração. Obrigada, Senhor!

13 de junho de 2012

Pai de amor

Se as pessoas entendessem que obedecer a Deus significa deixar de fazer qualquer coisa que termine em prejuízo a si próprias ou às outras, talvez vissem Suas leis, não como uma lista de "proibições" escritas por um ditador punitivo, mas como um manual prático de sabedoria criado por um Pai amoroso e protetor!

21 de maio de 2012

Aceitação

Você passa a não depender da aceitação de todos (ou de muitos), a partir do momento em que aceita a si mesmo. Quando passa a reconhecer seus defeitos com a paz e a humildade de quem entende que ainda (e sempre) há muito o que aprender. E quando começa a admirar suas potencialidades, sem se deixar dominar pelo orgulho. Acima de tudo, quando entende que é bom que assim seja, pois, juntos, eles o tornam alguém que não é melhor, nem pior, do que ninguém: o tornam única, exclusiva e simplesmente você.

2 de fevereiro de 2012

Porque nos amou primeiro

Recentemente li um texto, publicado em uma rede social por um pastor conhecido no meio evangélico, que, de maneira bastante sutil - mascarada de boa intenção e misericórdia - acabava por ser preconceituoso e hostil com ateus. O texto seguia a linha de comparação, muito comum, de "ser cristão é tudo de bom versus ser ateu é tudo de ruim" e chegou mesmo a afirmar que ser ateu é ser um "nada". O tipo de coisa que só faz o "crente" que se considera melhor do que os que não o são ou não se afirmam como tais, e demonstra que realmente foi ele quem não entendeu nada: que é um pecador, que vive ofendendo a santidade de Deus e que não possui mérito algum na sua salvação, mas que, se a obteve, foi única e exclusivamente pela Graça de Deus, que o alcançou - pelo sacrifício de Jesus! (ênfase: dEle!)
Não escondo minha indignação, portanto, com esta postura partindo de qualquer pessoa que se afirme cristã - e, como era de se esperar, neste tipo de publicação logo aparece uma avalanche de "crentes" "curtindo" e deixando comentários elogiosos.
Por questões éticas, mas, principalmente, porque o objetivo não é atacar pessoas, e, sim, a ideia/postura, bem como nos levar a uma pequena reflexão a respeito deste assunto,  não citarei nomes, nem compartilharei a referida publicação aqui (para a decepção dos curiosos). E ainda, porque, infelizmente, esta é apenas uma, de inúmeras situações semelhantes que presenciamos no nosso dia-a-dia no meio "cristão". 

Ocorreu que, até onde acompanhei os comentários, só vi dezenas e mais dezenas de pessoas concordando com o tal pastor, e comecei, desesperadamente, a procurar, ali no meio, algum crente que se posicionasse diferente: eis que não encontrei uma "alma viva" sequer! Foi então, que deixei a breve reflexão (comentário) abaixo, que resume o que quero dizer aqui:

"Honestamente, acho que perdemos muito tempo e damos péssimo exemplo quando (e se) falamos mal dos ateus e/ou de suas crenças ou descrenças. Nossa função (a ordem dada por Jesus) é vivermos e pregarmos o Evangelho - tudo o que fazemos além disso, foge do que Deus espera de nós - ou, utilizando uma palavra que gostamos bastante de usar, é pecadoÉ bastante importante lembrarmos que devemos amor e respeito a todos, e que isso independe de concordarmos ou não com suas formas de pensar, crer, ser ou agir - mas é curioso como, em dados momentos, parece que a maioria de nós simplesmente ignora isso, que é um mandamento.

Pregarmos o Evangelho com nossas vidas, de fato, será muito mais coerente e eficiente!
Quem sabe, reconhecendo amor em nossos olhos e gestos (na relação conosco), ateus ou quaisquer outras pessoas, não comecem, não a entender, mas, o que é mais importante, a sentir a existência de Deus através de nossas vidas? Ou será que andamos inseguros (de que transmitiremos amor e das nossas certezas) a ponto de evitarmos até mesmo a convivência com essas outras pessoas?
Não há quem resista ao amor de Jesus, quando dele experimenta! A chance de dúvida das certezas de um cético, se surgir, surgirá da experiência, e não da lógica! Por acaso não foi assim conosco, cristãos? Ou será que Jesus nos 'convenceu' com argumentos e sem amor? Afinal, como diz 1 João 4:19, 'nós O amamos porque Ele nos amou primeiro'. Se não manifestarmos respeito ou amor por pessoas que não conhecem o Evangelho, poderemos, portanto, esperar que elas estejam dispostas a ouvir o que temos a dizer? Você, honestamente, se interessaria pelas ideias de alguém que demonstra intolerância e desrespeito com as pessoas e com você? E, se não nos ouvirem, como, então, estaremos cumprindo com o "ide"? E, se não cumprirmos, e se não amarmos, como então, podemos nos dizer cristãos? Que Cristo tenha misericórdia de nós."


11 de dezembro de 2011

Escolhendo a paz


A verdade é que, às vezes, não há outra escolha, senão a de aceitarmos e convivermos amigavelmente com uma dor...Quando a mudança de uma situação realmente não é possível, ou não ocorre de acordo com a nossa vontade, fazer as pazes com os fatos é o que de melhor temos a fazer.
Muitas vezes, a revolta pode gerar mudanças necessárias, é verdade. Mas precisamos aprender a detectar o ponto em que ela se torna inútil; ou mesmo, um veneno, por vezes, fatal em doses homeopáticas.


27 de junho de 2011

Superficialidade e projeção


Relacionamentos superficiais são o terreno mais fértil para a projeção. Neles, qualquer um pode ser sempre legal e amável. De longe, qualquer um pode ser bonito, normal e perfeito. Bom, eu não quero ser vista assim. 
Eu quero o direito de mostrar que erro e sou capaz de magoar, por mais que me esforce para fazer o contrário. Que tenho limitações e que, em alguns momentos, a verdade é que não sirvo de exemplo a ser seguido. Que, na condição de ser humano, sou base frágil demais para que todos os sonhos de outro sejam depositados sobre mim - pois, quando eu cair (e isso vai acontecer), eles irão ao chão; e eu não quero que isso aconteça...
 Eu quero ser amada apesar do meu lado feio: aquele lado que nem eu mesma gostaria de ver, exceto por me tornar mais humilde. Mas não quero carregar o fardo de ser vista com perfeição por alguém; de suprir ou superar todas as suas expectativas - esta seria uma exigência desleal. Portanto, não prometerei nada mais - como também não me comprometerei com nada menos - do que, sinceramente, me esforçar, a cada dia, em ser melhor.
Eu quero relações reais, e não contos-de-fadas; profundas e com pessoas de verdade: humanas e limitadas como eu. Porque é de perto que a gente enxerga as menores imperfeições; é na intimidade que a gente descobre o outro e se descobre. E somente onde, também, a gente descobre o que é amar. 
Se disposto a amar somente o bom e o bonito, poderia receber qualquer outro nome, menos o de "amor". O cultivo do amor envolve o esforço de plantar a semente, a paciência de esperar a flor brotar, a tolerância para suportar os espinhos e a persistência de regá-la diariamente para que não desfaleça. Se não está disposto a fazer isso, não o desperte; nem espere colher os seus frutos.

Quem não tem relacionamentos profundos é um ponto de interrogação para si mesmo. E jamais receberá a bênção de perdoar ou ser perdoado: de dar e receber a chance de tentar acertar numa próxima vez. Quem viver de relacionamentos superficiais, não experimentará, jamais, o amor no seu sentido pleno.


Portanto, espere de mim profundidade, envolvimento, transparência. Mas também tolerância, lealdade, empenho. No entanto, por favor, lembre-se: se pretende viver na "superfície", este é um lugar que só visito de passagem e no qual eu não sobreviveria mais do que poucos instantes. Eu admiro o lado de fora, mas não aprendi a não mergulhar: o que me fascina é a beleza e a trama do que está nas profundezas. Eu não aprendi a não olhar para dentro.


P.S: foi a partir desta reflexão que escrevi o seguinte trecho, já anteriormente postada aqui no blog: "Eu sou pássaro que migra para outros pólos quando alguém tenta cortar as asas da minha liberdade de pensar! E, simultaneamente, peixe que não sobrevive muito tempo na superfície: meu habitat natural são as profundezas e, para me encontrar verdadeiramente,é preciso fôlego e ousadia para uma imensa viagem a mergulho."